Falta espaço para as artes cênicas

4 06 2009

Por Elaine Cristine

Teatros vazios, mas o espetáculo não pará

Teatros vazios, mas o espetáculo não para

Talvez você seja ou conheça alguém que já sonhou ou sonha em ser artista. Mas o mundo das artes cênicas não é tão fácil quanto parece. O deslumbramento causado por ele esconde as dificuldades encontradas e impostas aqueles que escolhem a profissão. A falta de interesse da população, a mau divulgação das peças, a falta de patrocínio e de incentivo governamental contribui para as dificuldades encontradas. Teatro vazio é o que estamos acostumados a encontrar na capital recifense. A deficiência no incentivo auxilia na desvalorização do trabalho oferecido pelos artistas.

 Apesar de o Sistema de Incentivo a Cultura ter a finalidade de incentivar, difundir, valorizar e preservar as artes e o patrimônio cultural, esse cenário não é o que estamos acostumados a encontrar entre os artistas e no meio da cultura do nosso país, em especial Pernambuco. Um dos entraves para a divulgação e valorização da cultura é o espaço para as apresentações teatrais, o que dificulta o trabalho dos artistas, diretores e escritores que estão cada vez mais desmotivados para compor novos projetos. Como é o caso do diretor teatral Jorge Féo, que relata as dificuldades que encontra no decorrer de um novo trabalho e ao longo de sua temporada. “As pautas dos grandes teatros estão sempre lotadas e quando há vaga, é preciso concorrer, não só com os artistas locais, mas também com os globais que vez ou outra desembarcam no Recife. É natural e compreensivo que produtores de outras paragens queiram por aqui aportar, cumprindo temporada ao lado de produções locais, o que obviamente já justificaria a ampliação dos espaços, o que eu não concordo é com a drástica retirada de cena das casas existentes”.

 Recife é uma cidade de tradição cênica, que inclusive já ocupou a terceira maior produção de teatro do país entre as décadas de 60 e 80, segundo as estatísticas da Funarte.

 Só para lembrar alguns espaços que já fizeram parte desse grande espetáculo, as quais não mais pautam espetáculos de artes cênicas em suas atividades, o que faz muita falta, recordemos: Cine-Teatro José Carlos Cavalcanti Borges, pertencente à Fundação Joaquim Nabuco, do Governo Federal; Teatro do Derby, pertencente a Polícia Militar de Pernambuco; Teatro do Forte, pertencente à Fundação de Cultura Cidade do Recife e Teatro Arraial, pertencente à Fundarpe. Este último é a mais recente exclusão de espaço cênico da concorrência de pauta da cidade, o que não acontece desde janeiro de 2007.

 Segundo Jorge Féo, a solução para os grupos teatrais é buscar pautas em teatros particulares, o diretor ainda afirma que seu mais recente trabalho, com a peça “Elas”, já chegou a receber um público de aproximadamente 25 pagantes, o que não dar nem para pagar a pauta adquirida no teatro, mas ele assegura que sua maior dificuldade é despertar no público pernambucano o interesse por esse mundo tão gracioso que é o das artes cênicas.

Jorge relata que só os globais conseguem lotar os teatros do Recife, pois nem a Trupe do Barulho que teve recorde de público na década de 90, lota mais as casa teatrais.

Mas, mesmo com todas as dificuldades muita gente ainda vislumbra dentro de si a arte e a cultura, isso faz com que o espetáculo não pare. Por isso continuam sendo ainda ministrados cursos de nível médio e superior no Recife, no contexto das ciências das artes, e enquanto houver espaço para sonhar, a cultura permanecerá em todas as formas entranhadas no seio da humanidade.


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